domingo, 3 de outubro de 2010

Carl Rogers sobre o behaviorismo

"Do meu ponto de vista, eu previria uma brusca ascensão no uso da terapia do comportamento porque considero que ela se ajusta ao pensamento da grande maioria dos psicólogos, o qual, esquematizado, poderia ser assim enunciado: O homem é uma máquina complicada, mas, provavelmente, podemos compreendê-lo e controlá-lo. Creio que isso faz parte do estado de espírito dominante na cultura atual e é por isso, em minha opinião, a tendência da terapia do comportamento é para aumentar ainda mais." (p. 127).
"A Psicologia de filiação behaviorista domina as universidades e passará ainda muito tempo antes que as coisas mudem. Mas não acredito que a geração mais jovem que se avizinha dos cargos docentes se satisfaça com essa concepção de vida; o ponto de vista existencial, que significa tantas coisas diferentes para tantas pessoas, acabará por ser predominante num futuro não muito remoto. Sem dúvida, a minha versão desse ponto de vista significa muito para mim e penso que... não, acho que isso é mais uma esperança do que uma certeza. Espero que a comunicação humanista "pessoa para pessoa", que realmente se provou ser possível, desempenhará um papel cada vez mais amplo, mas terei de acrescentar que isso, provavelmente, é mais esperança que uma previsão certa!" (p. 128).
"Espero que alguém possa unir o ponto de vista humanístico-existencial e o ponto de vista estritamente behaviorista, conjugando-os numa concepção superior e mais abrangente do universo humano." (p. 129).
Referência: Frick, Willard B. Entrevista com o Dr. Carl Rogers (La Jolla, Califórnia, 24 de janeiro de 1969). In: Frick, Willard B. Psicologia Humanista: entrevistas com Maslow, Murphy e Rogers. Tradução Eduardo D'Almeida. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

Este é o ponto de vista de C. Rogers. Ele parece ser parcialmente confirmado atualmente em algumas universidades dos Estados Unidos. Como me informou um conhecido da University of Central California, atualmente o behaviorismo tem perdido a sua força, tão grande décadas atrás, no território intelectual nacional; o que tem grande força, hoje, é uma tendência fenomenológico-existencial, profundamente marcada pelos pensamentos de M. Heidegger e M. Merleau-Ponty, como, por exemplo, com Hubert Dreyfus e Shaun Gallagher, dentre outros. No entanto, não se pode dizer que seja uma "conjugação superior e mais abrangente do universo humano", resultante da união entre behaviorismo e o ponto de vista humanístico-existencial. Trata-se, antes, de um novo (ou apenas outro) ponto de vista. Outro movimento que busca tal tipo de aproximação (existencial e comportamental) pode ser detectado nos escritos de Pérez-Alvarez, um psicólogo espanhol. Por outro lado, deve-se acrescentar, os movimentos de grupo, como o são os dos psicoterapeutas, dos psicólogos, dos técnicos, e assim por diante, estes movimentos de grupo não são nada homogêneos: pode, em certo sentido, haver hegemonia, porém não homogeneidade. Atualmente, ainda tendo como panorama os Estados Unidos da América, há outra forte tendência vinculada ao nome behaviorismo, a qual, digamos, renova os enunciados e lhes dá uma nova face: a Terceira Onda, sendo um de seus nomes mais conhecidos aqui no Brasil o de Steven Hayes.

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