domingo, 3 de outubro de 2010

Epoche transcendental


  • Redução fenomenológica
"[...] essa invalidação universal, essa "inibição" de todas as atitudes que podemos ter em relação ao mundo objetivo – e, de início, das atitudes relativas à: existência, aparência, existência possível, hipotética, provável e outras [...] essa εποχη fenomenológica, essa "colocação entre parênteses" do mundo objetivo, não nos põem diante de um puro nada." (p. 38).

"Pode-se dizer que a εποχη é o método universal e radical pelo qual me percebo como eu puro, com a vida de consciência pura que me é própria, vida na qual e pela qual todo o mundo existe para mim, exatamente da forma como existe para mim." (p. 38).

Acima, trata-se da redução fenomenológica (epoche). Na esteira de Descartes, que busca a validade existencial a partir das cogitationes do cogito (eu puro), abaixo, trata-se da redução fenomenológica transcendental, conforme o texto de Husserl.


  • Redução fenomenológica transcendental

"Se me coloco acima de toda essa vida e me abstenho de efetuar a menor crença existencial que coloca "o mundo" como existente, se volto exclusivamente para essa vida em si, na medida em que ela é consciência "desse" mundo, então me encontro como ego puro, com o cotidiano puro de minhas cogitationes." (p. 39).

"[...] a existência natural do mundo [...] pressupõe, como uma existência em si anterior, a do ego puro e de suas cogitationes. O domínio da existência natural, portanto, só tem uma autoridade de segunda categoria e pressupõe sempre o domínio transcendental. É por isso que o esforço fenomenológico fundamental, ou seja, a εποχη transcendental, na medida em que nos leva a esse domínio original, chama-se redução fenomenológica transcendental." (p. 39).

Assim, pode-se dizer que a redução fenomenológica transcendental é, em suma, a suspensão de minha atitude natural da vida, i.e., perante o mundo; é, de tal modo, pode-se dizer, o contra-senso-comum.

Referência: Husserl, Edmund. Meditações Cartesianas: Introdução à fenomenologia. Tradução Frank de Oliveira. São Paulo, SP: Madras, 2001

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