Em uma conferência pronunciada no Colóquio de Ottawa, em maio de 1984, intitulada "Lacan Clínico", Jacques-Alain Miller, após exigir que "para localizar-se em Lacan, há que se esquecer, decididamente, do pós-estruturalismo", caracteriza os fins da obra e Jacques Lacan:
Lacan consagrou o seu trabalho à prática da psicanálise. Isto tem de ficar claro porque, precisamente, na obnubilação, no entusiasmo de lê-lo, imagina-se que escreveu para si mesmo. Isto não é exato. Escreveu e consagrou o seu trabalho à prática da psicanálise, à sua elucidação e transformação. E não digo que consagrou o seu trabalho à leitura e restituição do sentido da obra de Freud, que, sem embargo, ocupa-o, como é manifesto, pois, inclusive, a sua leitura de Freud foi para ele apenas um meio - um meio e não um fim -, sendo o fim a sua prática da análise. (MILLER, 1991, p. 120).
Referência: MILLER, Jacques-Alain. Lacan Clínico (Trad. Irene Agoff). In: ______. Matemas II. 3.a. ed. Buenos Aires, Argentina: Ediciones Manantial, 1991.
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