Em uma carta a Fichte, Jacobi
diz:
Resulta
inegável que o espírito da filosofia especulativa, pelo que teve de ser continuamente
impulsionada desde os seus primórdios, consiste em tornar desigual a certeza destas duas proposições, que, sem embargo,
possuem igual certeza ao homem
natural: “Eu sou e existem as coisas externas a mim”. Esta filosofia teria que
tentar submeter uma destas proposições à outra, derivar completamente aquela desta ou esta daquela, para que sob seus
olhos, o que tudo vê, apareça somente
um ser e uma só verdade! Se for bem sucedida a especulação em produzir esta
unidade, aumentando essa desigualdade ao ponto de que, por trás da destruição
daquela igualdade natural, fizesse
surgir uma igualdade artificial do
mesmo Eu e NãoEu manifestamente existente no saber – uma criatura completamente nova {p. 486} que pertence exclusivamente a
esta especulação! –, se for bem sucedida, digo então que poderia chegar a
produzir também, perfeitamente, a partir de si mesma uma ciência completa do verdadeiro[1].
Jacobi está, aí, caracterizando o
idealismo transcendental: um só ser e uma só verdade. Aliás, para ele, todo
monismo reconduz a este mesmo princípio, de tal modo que o materialismo não
seria mais do que um idealismo invertido. A oposição entre este eu natural e algo como um novo eu, artificial, o puro (transcendental), diz respeito, pois, ao projeto
fenomenológico também.
[1] JACOBI,
F. H. Carta a Fichte: Eutin, 3 marzo 1799. In: Cartas a Mendelssohn y otros textos. <Prólogo, traducción y notas de José Luis
Villacañas>. Barcelona: Círculo de Lectores, 1996, pp. 485-6.
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