segunda-feira, 23 de julho de 2012

Notas introdutórias sobre "Força e significação", de Jacques Derrida

Referência: Derrida, Jacques. Força e significação. In: Derrida, Jacques. A escritura e a diferença. Trad. Maria Beatriz Marques Nizza da Silva. 2.a. ed. São Paulo: Perspectiva, 1995, p. 11-52.

Neste texto, originalmente publicado em 1963 na revista Critique, Derrida apresenta uma crítica aos fundamentos metafísicos do estruturalismo e da tendência, em crítica literária, mas também mais geral, de reduzir a força à forma, o caos à ordem, o movimento à imobilidade, o dionisíaco ao apolíneo. Esta postura estruturalista perde a dimensão criadora em face de uma geometrização da obra. Vê-se também neste ensaio uma crítica à priorização da fala, critica operada por Derrida em outros textos inclusive, mas que fornece o cenário para apontar os pontos fracos de uma crítica literária estruturalista, cujo escopo é delimitar, como que dentro de uma película, os atos de criação e os atos do sentido, ou, aliás, o próprio sentido, geometrizando-os, enquadrando-os, organizando-os muito minuciosamente; disto decorre uma concepção segundo a qual aquilo que está por vir está já contido, em estado germinal, na coisa dada, apertando dentro daquela película o próprio devir e fechando-o: esta é a própria estrutura. Desta totalidade já concebida decorre outra coisa: que o sentido esteja circunscrito pela própria estrutura, maior do que a forma. A estrutura inclui, também, o sentido, a própria forma, a solidariedade e aquela totalidade. No chamado por uma escuta da força, da diferença e da multiplicidade, contra o telos único do Livro de Leibniz, contra o sentido único proposto pelo mesmo, este escrito aponta para a concretude mundana da escritura marcada pela historicidade. No chamado por uma força de deslocação contra a teleologia pré-formista e contra o sistema já cristalizado, um sistema que prolonga a tradição metafísica, marcada pela oposição do aparecimento-velamento, Derrida nos convida a celebrar o impulso, a diferença, o próprio Dionísio: a escritura que é um outro no ser, um excesso, autônoma em relação à fala, não lhe valendo, de modo algum, a metáfora enrijecida.

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