segunda-feira, 2 de maio de 2011

Skinner e o representacionalismo

In an operant analysis, and in the radical behaviorism built upon it, the environment stays where it is and where it has always been - outside the body. (p. 73).
A person is changed by the contingencies of reinforcement under which he behaves; he does not store the contingencies. In particular, he does not store copies of the stimuli which have played a part in the contingencies. There are no "iconic representations" in his mind; there are no "data structures stored in his memory"; he has no "cognitive map" of the world in which he has lived. He has simply been changed in such a way that stimuli now control particular kinds of perceptual behavior. (p. 84).
Há vários pontos nesse texto de Skinner em que podemos aproximá-lo de Merleau-Ponty. Não se trata de aproximar os seus sistemas teóricos e conjugar um a partir do outro. Ambos parecem lidar com os mesmos problemas básicos e as suas consequências parecem ser semelhantes, embora distintas. O interessante de aproximá-los será ver como o caminho percorrido por eles levou a tais ou quais consequências, e a partir daí poderemos extrair as nossas próprias.  Podemos resumir, drasticamente, alguns pontos sobre os quais eles incidem: (1) ambos não concordam com a teoria cognitivista da percepção e da memória segundo a qual os dados da percepção são "traduzidos" para uma "localização" (mental ou cerebral) por meio da "representação" (eis o "representacionalismo"); (2) ambos veem no primado do cérebro aquele mesmo dualismo alma-corpo da filosofia racionalista; (3) ambos colocam a pessoa em sua relação com o mundo no centro de suas considerações teóricas, isto é, não um sentido da percepção ou outro, mas o conjunto de determinações a que está entrelaçada, entre outras coisas as quais cabem ser avaliadas posteriormente. Vale ressaltar, aqui, que o representacionalismo oferece um problema. Esse problema é o de determinar como a pessoa percebe aquilo que é representado, se o processo de perceber é ele mesmo o processo de representar. Isso, como se vê, cria uma infinita cadeia de "representações", as quais restam inexplicadas (redução ao absurdo). A representação, contudo, já foi vista por muitos como a pedra angular da psicologia no que tange a sua diferença com relação à fisiologia. Sem a representação, a psicologia não seria mais do que fisiologia. Se Skinner e/ou Merleau-Ponty estiverem "corretos", então não devemos ceder à tentação representacionalista.

Referência: Skinner, B. F. About behaviorism. New York: Alfred A. Knopf, Inc., 1974.

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