“[...] continua sendo um fato que o fator distintivo da cultura científico-tecnológica – que tem sido até agora moldada – é que ela provê meios cada vez mais poderosos, tornando as atividades humanas mais e mais eficientes, mas não provê um compasso distintivo, que indicaria como usar estes meios e em que direção ir.” (SUCH, 2003, p. 411).
O autor nos indica que os componentes contemplativos
de nossa cultura, apesar de "soterrados" pela cultura tecnológica, nos levariam a uma compreensão axiológica da atividade humana, a nos
concentrarmos no cuidado de si e nos objetivos de nossa cultura; entretanto, a
cultura científico-tecnológica – originariamente europeia, mas em plena
expansão geográfica – é responsável pelo ofuscamento destes elementos, porque os
seus componentes transformacionais e cognitivos possuem um primado sobre
quaisquer outros. Para ele, o perigo desta situação é que a falta de norte e o
acúmulo de meios de destruição disponíveis pode levar esta cultura ao
aniquilamento de si própria e mesmo de toda a vida na Terra. Assim, para a
sobrevivência da cultura, duas condições deveriam ser satisfeitas: 1) o desenvolvimento
de um sistema comum e universal de valores e 2) o desenvolvimento de um nível
de tolerância que permita a coexistência de diferentes sociedades humanas,
apesar de suas diferenças com respeito a seus objetivos.
Referência: SUCH, Jan. Science and Technology and the Current Trends in the Development of Culture, Poznan Studies in the Philosophy of the Sciences and the Humanities, Multiformity of Science, Rodopi, pp. 409-411(3), 2003.
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