The disclosure of the invariant structure of the given world as well as of any possible world of primordial experience is the subject matter of a specific discipline, namely, a universal descriptive science of the world at large. Its task is to establish and explicate the “natural concept of a world” (natürlicher Weltbegriff), to lay bare the a priori of the life-world, to develop an ontology of the life-world. The universal science of the world has precedence over all the special sciences related to the several mundane regions; the special sciences rely on the universal both for their differentiation and for their integration into a systematic context. Within the theoretical framework established by the universal science of the world, the thematic of each of the special sciences is defined and delineated – i.e., the kind of problems it has to deal with and the theoretical orientation it has to take. This also holds for the science of psychology, whose foundations can be laid only with reference to the world of primordial experience and its invariant structure. (Gurwitsch, 1974/1966, p. 91).
E é importante, aqui, distinguir duas coisas. Primeiro, distinguir esse mundo, aqui entendido como Lebenswelt (mundo da vida), do mundo descrito pelas ciências físico-matemáticas. Enquanto o primeiro se refere à experiência primordial despida de qualquer tipo de construção racional, "pré-predicativa", o segundo já pressupõe uma construção: trata-se de um mundo descrito por meio de operações lógico-matemáticas e julgado de acordo com os princípios racionais da ciência. O Lebenswelt é, para Husserl e para Gurwitsch, o mundo puro, o estofo e pressuposto de toda e qualquer construção de nosso espírito, ao passo que o mundo tal qual descrito pela ciência é o resultado da aplicação de um método. Com isto, podemos distinguir, também, o a priori do Lebenswelt do a priori lógico-matemático, que se referem cada um a um nível de compreensão do mundo: o primeiro é o logos de nossa experiência primordial, ao passo que o segundo, o logos ou essência de nossas construções racionais. Além disso, como diz o próprio Gurwitsch, "o último pressupõe o primeiro e se estabelece sobre ele por meio de uma operação específica de idealização" (op. cit., p. 91, nota de rodapé n.10).
Referência: GURWITSCH, Aron. Edmund Husserl’s Conception of Phenomenological Psychology. In: GURWITSCH, Aron; EMBREE, Lester (Ed.). Phenomenology and the Theory of Science, pp. 77-105. Evanston: Northwestern University Press, 1974. <Originalmente publicado, com o mesmo título, em Review of Metaphysics, Vol. XIX (1966), um estudo crítico sobre as conferências de Husserl dedicadas à psicologia fenomenológica: Phänomenologische Psychologie, ed. Walter Biemel, Husserliana IX (The Hague: Martinus Nijhoff, 1962)>.
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