quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Analogia

"Deve haver aí certa intencionalidade mediata, partindo da camada profunda do "mundo primordial", que, em todo caso, permanece sempre fundamental. Essa intencionalidade representa uma "co-existência", que não está jamais e que não pode jamais estar lá "em pessoa". Trata-se, portanto, de uma espécie de ato que torna "co-presente", de uma espécie de percepção por analogia que vamos designar pela palavra "apresentação"." (Husserl, 2001, p. 123).

E:

"A experiência do mundo exterior caracteriza-se já dessa maneira. Com efeito, o lado verdadeiramente "visto" de um objeto, sua "face" voltada para nós, apresenta sempre e necessariamente sua "outra face" - escondida - e faz prever sua estrutura, mais ou menos determinada." (idem).

A adversativa segue opondo este ponto ao que se refere ao ser do outro:
"Mas, por outro lado,  no nosso caso pode não se tratar precisamente desse gênero de apresentação que intervém na constituição da natureza primordial. Essa última, com efeito,  pode ser confirmada pela apresentação correspondente que preenche sua intenção (o "avesso" pode se tornar o "direito"), enquanto isso é, a priori, impossível para uma apresentação que deve nos introduzir na esfera "original" do outro." (idem).


Referência: Husserl, Edmund. Meditações Cartesianas: Introdução à fenomenologia. Tradução Frank de Oliveira. São Paulo, SP: Madras, 2001.

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