"[...] Rickert fala de uma "lógica dos objetos" que concerne à "objetividade ou a forma" dos objetos, e para o qual mesmo os "objetos" de diferentes ciências tornam-se um problema de ordem formal." (Krijnen, 2010, p. 72, nota 3).
Comentários: O que caracteriza a objetividade dos "objetos" das ciências particulares? A partir do momento em que se os considera como "um problema de ordem formal", trata-se de definir esta objetividade em termos de categorias lógicas. Estas categorias lógicas são, certamente, valores; apesar de serem criadas no tempo e no espaço, tornam-se abstratas e compartilhadas, convenções sociais; elas também refletem uma escolha por parte de um grupo social: no momento de definição da categoria, da descrição que seja, na própria forma já está embutida toda a informação necessária que possa distinguir traços de coisa (de matéria); isto é, já é operada uma separação, um recorte do campo ontológico total, criando-se, assim, campos ontológicos regionais e específicos. Assim, a objetividade não está, de forma alguma, no objeto, na qualidade do objeto, ou na "natureza" do campo ontológico regional; está, ao contrário, nas próprias categorias e, assim, na natureza da definição. Com isto, é possível iniciar uma indagação sobre a matemática e a sua "precisão", devido, supostamente, à sua linguagem, e outras ciências exatas, e a diferença destas ciências com as humanas. Por outro lado, pode levar-nos a indagar, também, a relação entre as definições e os campos ontológicos, pois, se não fosse relacional, dir-se-ia que as ciências humanas são menos "precisas" justa e unicamente por conta de sua linguagem menos "precisa", o que não é muito convincente, a princípio.
REFERÊNCIA: Krijnen, Christian. Le problème de la fondation de l'ontologie sociale, Études philosophiques, n.1., 2010, p. 67-86.
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