quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Organismo e Comportamento

Após apresentar a apreensão do outro como organismo através do emparelhamento e da transferência de sentido, Husserl apresenta argumentos curiosos sobre a experiência do outro: 

"[...] o organismo estranho afirma-se no decorrer da experiência como organismo verdadeiro, unicamente por seu "comportamento", que se modifica, mas que é sempre concordante. E isso da seguinte maneira: esse comportamento tem um lado físico que apresenta o psíquico como seu indicador. É sobre esse "comportamento" que se apóia a experiência original, que se verifica e se confirma na sucessão ordenada de suas fases." (Husserl, 2001, p. 128).

E segue:
"E quando essa sucessão coerente das fases não ocorre, o corpo é apreendido como sendo organismo apenas na aparência." (idem).

Comentários: É importante observar esse jogo de palavras entre organismo verdadeiro, organismo na aparência e comportamento, lembrando também que o organismo é aquele corpo que funciona, inicialmente apenas vivido como sendo o meu corpo, e lembrando também que o ser do outro foi definido como diferente dessa manifestação não-essencial do corpo do outro. Então, aqui é esboçada uma resposta a esse problema do ser do outro no mundo, pois esse organismo na aparência não é diferente do meu eu (transcendental), como o é o alter ego (o eu do outro), mas faz parte dessa "transcendência imanente" que é o mundo objetivo. Ademais, deve-se notar que Husserl localiza o comportamento como único caminho possível para a experiência (original) do "organismo verdadeiro".

Referência: Husserl, Edmund. Meditações Cartesianas: Introdução à fenomenologia. Tradução Frank de Oliveira. São Paulo, SP: Madras, 2001.

Nenhum comentário:

Postar um comentário