segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ciência e transcendência

"Se examinarmos de mais perto o que é tão enigmático e nos lança na perplexidade nas reflexões mais à mão sobre a possibilidade do conhecimento, vemos que é a sua transcendência. Todo o conhecimento natural, tanto o pré-científico como também já o científico, é conhecimento que objetiva transcendentemente; põe objectos como existentes, pretende atingir cognoscitivamente estados de coisas que não estão nele "dados no verdadeiro sentido", não lhe são "imanentes"." (Husserl, 2008, p. 60).
1 - O enigma do conhecimento é a transcendência, já que a certeza reside na imanência.
2 - O conhecimento natural objetiva a partir da transcendência, isto é, põe os objetos como existentes, sem questioná-los, sem perguntar dessa relação do conhecer com a objectalidade. É, por exemplo, o que faz a física, quando interpreta a realidade (sua physis) como um dado, como um algo que já está aí disposto, e do qual, a partir de uma linguagem, os fenômenos são intepretados. E é, também, o que faço quando falo que conheço Londrina, por exemplo, quando falo dessas lembranças, dos sentidos e das percepções que tomo diante de mim, quando tudo isto é "visto" por mim e tomado como dado.

Algumas páginas adiante, Husserl escreverá algo que complementa este ponto:

"[...] no princípio da teoria do conhecimento, não é permitido recorrer ao conteúdo das ciências naturais e transcendentemente objectivantes, mas também o não é no seu total desenvolvimento. Prova, pois, a tese fundamental de que a teoria do conhecimento jamais pode edificar-se sobre a ciência natural de qualquer espécie." (p. 62) 

Referência: Husserl, Edmund. A ideia da fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 2008.

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