Após ter sido rejeitado pela Universidade de Göttingen, seis anos após a publicação de suas Investigações Lógicas, em torno de 1907, Husserl passa a dedicar-se ao estudo da filosofia kantiana. Veja o que escreve Biemel sobre esta que chamamos aqui de "viragem transcendental da fenomenologia":
"Husserl, nesta época, ocupou-se detidamente de Kant; desta ocupação veio-lhe a ideia da fenomenologia como filosofia transcendental, como idealismo transcendental, e a ideia da redução fenomelógica." (Biemel, 2008, p. 12).
E, depois, acrescenta:
"A redução fenomenológica proporciona o acesso ao modo de consideração transcendental; possibilita o retorno à "consciência". Vemos nela como é que os objetos se constituem. Efectivamente, com o idealismo transcendental, caminha-se para o centro do seu pensamento, o problema da constituição dos objetos na consciência [...]" (idem).
A partir de agora, começo o estudo das Cinco Lições ("A ideia da fenomenologia"; Husserl, 2008). E, em acréscimo a esta nota gnosiohistórica da obra de Husserl, segue o seguinte comentário, também de Biemel, sobre a obra que seguiremos:
"Nas Cinco Lições, exprimiu Husserl pela primeira vez em público estas ideias [da fenomenologia transcendental], que haviam de determinar todo o seu pensamento ulterior. Nelas oferece uma clara exposição tanto da redução fenomenológica como da ideia fundamental da constituição dos objectos na consciência." (Biemel, 2008, p. 13).
Biemel, Walter. Introdução do editor alemão (Lovaina, Setembro de 1947). In: Husserl, Edmund. A ideia da fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 2008.
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